A possibilidade de que o Exército assuma a obra reconstrução do Porto de Itajaí, parada desde o início de julho, foi recebida com ressalvas por lideranças da cidade ontem. Eles temem mais demora com a elaboração de um novo projeto.
Em reunião realizada na Câmara de Vereadores, a senadora catarinense Ideli Salvatti, autora da proposta, apresentou como argumento mais forte o fato de a alternativa dispensar uma nova licitação. O Instituto Militar de Engenharia do Exército é responsável por obras recentes nos berços do terminal de São Francisco do Sul e em Itapoá.
A preocupação evidente de lideranças políticas e empresariais foi a necessidade de elaboração de mais estudos e de um novo projeto executivo para que o Exército assuma a obra, o que poderia estender ainda mais a espera.
A senadora, por sua vez, questionou a necessidade de estrutura com estacas de 50 metros de profundidade no cais. A especificação, vista como indispensável pelo consórcio que executa a reconstrução, mantém a obra paralisada até parecer do Tribunal de Contas da União (TCU).
– O Exército pode ser uma solução mais rápida, barata e sem burocracia, pois não depende de nova licitação para começar os trabalhos. E sua competência técnica é reconhecida – resumiu Ideli.
Lideranças visitarão Instituto Militar hoje
O presidente do Conselho de Autoridade Portuária de Itajaí, Anselmo José de Souza, considerou a utilização do Exército possível e criativa, mas fez uma ressalva:
– A crise é o momento de termos visão de futuro. Se o Porto de Itajaí não se estruturar desde já, a concorrência de terminais em fase modernização, como São Francisco do Sul e Itapoá, será preocupante.
Após duas horas de discussão, Ideli decidiu acompanhar os membros da comissão de reconstrução do Porto de Itajaí em audiências no TCU, hoje, em Brasília. O objetivo é convencer oito ministros da necessidade de liberação de um aditivo de 50% ao valor contratado da obra, único meio para conseguir o seu reinício imediato.
A senadora levará ainda a comitiva à sede do Instituto Militar de Engenharia do Exército, que não se manifestou sobre o assunto ontem.
Fonte: Revista Brasil Comex