As atenções do mundo estarão voltadas amanhã para a Rússia, onde se reúnem os líderes de governo de Brasil, Rússia, Índia e China - grupo conhecido como Bric. A pauta do encontro é extensa e frente à crise financeira internacional e à instabilidade do dólar, abre-se espaço para a proposta de que os países possam transacionar com suas moedas próprias. "A volatividade do dólar acaba prejudicando o comércio entre os países. Por esse motivo, surge a opção em negociar com suas moedas próprias. Isso facilitaria, principalmente em um momento de crise", diz Roberto Vertamatti, diretor executivo de Finanças da Anefac. "Em curto prazo, porém, nada acontece", acrescenta.
Segundo Vertamatti, a piora da crise trouxe para a agenda o assunto sobre a troca do dólar como moeda internacional, mas as chances reais dessa proposta ser viabilizada são mínimas. "Mais factível de ver acontecer é a implantação do comércio entre as moedas locais. Ou seja, Brasil e China negociando em Real e Iuane", conta.
Essa discussão foi levantada, segundo o diretor executivo de Finanças da Anefac, porque a falta de estabilidade da moeda norte-americana está atrapalhando os negócios. Vertamatti diz, contudo, que qualquer mudança que venha acontecer não seria para agora, mas para o futuro. "O objetivo de criar uma moeda única a partir de uma "cesta de moeda" é para que ela sofra tanto com a turbulência econômica", explica.
Se as chances do encontro resultar em decisões concretas sobre o padrão econômico dos países são mínimas, a reunião terá sido ainda assim sido proveitosa. Segundo o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer, ela servirá para reaquecer a Rodada de Doha e permitir a articulação de uma posição conjunta para o próximo encontro do G-20, em setembro. "Para política doméstica, o governo vai poder vender uma imagem de que é hoje um player mais importante no comércio mundial e para o público externo ele joga para aumentar o seu cacife perante a comunidade internacional", afirma.
Sabe-se que entre os Brics as negociações vão se dar para que a desvalorização do dólar não afete tanto suas transações comerciais. "A partir do crescimento das relações comerciais entre os países, fica mais forte a idéia de uma moeda comum", frisa o cônsul da Índia em Minas Gerais, Élson de Barros Gomes Jr. Ele lembra, no entanto, que existe um longo caminho a ser percorrido. "Se chegar será a isso favorável, seria um facilitador comercial, mas existem outros fatores a serem considerados, que envolvem outros países", acrescenta o cônsul.
Fonte: DCI – Diário Comércio, Indústria e Serviços.